Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Da liberdade



Não sei de onde raio é este magnífico conjunto escultórico ou quem foi o seu autor. Sei apenas que capta muito mais a essência do que é a liberdade do que esta coisa em ferro, sita na nova Praça da Liberdade, em Viana do Castelo, chamada, e passo a citar, "monumento ao 25 de Abril".


Adenda: Uma simpática leitora fez o favor de, por e-mail, identificar o conjunto escultórico mostrado no fotografia: encontra-se em Singapura, e o seu autor é Chong Fah Cheong. Confesso que de Singapura não esperava coisas tão belas.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Confissões tardo-noctívagas


Até admito que pudesse ter neste momento alguma coisa de interesse para escrever aqui.


É que acabei de ver o Gran Torino, do Clint Eastwood (a propósito, o mais clássico dos filmes de Eastwood, i.e., já não se fazem filmes como este) e de encomendar online um livro de contos do Salinger e um ensaio de Umberto Eco.


Mas depois penso: a vida não é só arte e beleza, é sobretudo aborrecimento, amanhã acordo cedo e convém à ordem natural das coisas eu comportar-me como um ser adulto e responsável. Também por esse motivo, vou agora dormir, quando o que me apetecia era sentar-me na esplanada do quintal a beber uma cerveja e ouvir um bluesman qualquer.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Ontem, como hoje


(Imagem do BibliOdyssey, pois claro)

A mesma fidedigna fonte garante-nos que a legenda deste belo mapa diz-nos o seguinte sobre Portugal:

- Portugal is pleased to think he holds the Key of the situation.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Alguém me explica o significado metafísico disto?

Tenho constatado que muitos espaços museológicos ou culturais do nosso país encontram-se, actualmente, instalados em antigas prisões. Por sua vez essas mesmas prisões foram instaladas em ainda mais antigos conventos ou mosteiros.

Ora, este desenvolvimento - até o século XIX convento, a partir do século XIX prisão, e a partir do século XXI museu - é deveras curioso. Poderá apenas querer dizer que a nossa civilização tem avançado alguma coisa.

Curioso também parece ser o facto de o número de pessoas que passam por esses locais decrescer consoante as suas metamorfoses.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Uma nação de gente respeitada e respeitável

Talvez reflexo de décadas de culto sagrado d’o “respeitinho é que é muito bonito”, assistimos hoje, nesta bonita nação parida há quase 900 anos, à completa e genérica falta de respeito por tudo e por todos. De facto, o que vemos hoje em dia? Vemos na praia catraios de 6 anos a cuspir nos pais apenas porque estes não os deixam ir para a água. Vemos catraios mais graúdos a passar em bandos pela rua sujando tudo e quando vêem um agente policial fartam-se de proferir altos grunhos acompanhados de gestos obscenos dirigidos àqueles. Vemos um desrespeito e desconsideração geral pelas leis e normas instituídas, com excepção da obrigação de usar colete reflector, e por isso a grande pendência nos tribunais (e já nem falo do desrespeito por valores como a honra e boa fé). Vemos ainda a total indiferença pelo cumprimento de decisões judiciais emanadas de órgão de soberania. Vemos também ministros de um governo da República a imitar publicamente um animal bovino perante um outro órgão de soberania.


Não sei para onde vamos nem o que pretendemos com este estado de coisas. A continuar assim, talvez nos possamos ver todos daqui a uns anos metidos numa grande estrumeira, gritando e brigando todos contra todos, em busca de um lugar melhor na meio da lama.


Pelo menos, aí, não nos faltará combustível para as novas energias renováveis, e teremos o nosso problema energético resolvido.


Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O estado da Nação


Ver o vídeo aqui.

Pergunta do dia


Quando é que metem na cabeça que o que Benfica tem são associados e não sócios?

Aliás, tal como qualquer outro clube, seja ele de pesca, seja ele de críquete.

Nostalgia


Por esta altura do ano fico com uma enorme nostalgia dos meus tempos da faculdade, em Lisboa. Aquilo era o tour à tarde, as cervejas, mais os exames, os fins de tarde na esplanada, o Frasier na TVI e a literatura realista russa pela noite dentro.

Tempos assim são de ouro e não se repetem na vida de um gajo.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

A wanker is always a wanker*


Suspeito desde há muito que o cão é bastante mais esperto do que o homem: sempre estive convencido, até, de que o cão sabe falar, só que tem um feitio teimoso. O cão é um político extraordinário: repara em tudo, em todos os passos do homem.


Nikolai Gógol, in Diário de Um Louco


*A propósito de uma série de fotografias que descobri neste conjunto de espantosas fotos (de contemplação obrigatória), tudo graças ao José Ricardo Costa, do Ponteiro Parados.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Da série: quando for grande quero ser guitarrista # 4

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

O Couraçado Potemkin


A arte comparticipada pelos Estados é, normalmente, aborrecida. Em alguns casos chega mesmo a ser francamente estúpida. Basta vermos o recente cinema português, só para citar um flagrante exemplo.
Já no que toca a arte propagandística pública de natureza ditatorial então a coisa ainda se complica mais. Aí, quase sempre, a arte deixa de ser arte, passa a ser um meio e não um fim, um instrumento apenas e só ao serviço da ideologia política.
Claro que não ponho em causa a arte aspirar a ter conteúdo ou uma mensagem expressamente política, apesar de achar que isso a empobrece.
No entanto, Eisenstein, com “O Couraçado Potemkin”, um filme que tinha tudo para ser um reles e mísero filme esquecido da propaganda soviética (como quase todos), tornou possível fazer dum filme de aclamação comunista uma obra prima do cinema. É certo que o filme é, do primeiro ao último minuto, uma apologia ao levantamento armado da classe operária e oprimida (no filme representada pelos marinheiros frente aos oficiais), recriando um acontecimento da longa história socialista russa. Mas eu, que o vi pela primeira vez este fim de semana, vou recordá-lo acima de tudo como um filme que, do primeiro ao último minuto, nos apresenta em cada pormenor, cada plano, cada ângulo, e em toda a montagem, uma beleza e força incandescentes. Enfim, uma torrente pungente de imagens em que nada é deixado ao acaso, tudo é perfeito. A cena da escadaria de Odessa foi, aliás, das coisas mais impressionantes que já vi em todo o cinema. E depois há a magnífica banda sonora, que vale por si só (o DVD que tenho dispõe da versão do grande Chostakovitch, que é uma coisa assim para o apoteótico).

Trata-se, portanto, de um filme obrigatório. Diria mais: é o melhor guia para o aprendiz de realizador de cinema.



Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Informação de última hora

Começou agora a feira medieval de Viana do Castelo. Daqui da janela do meu gabinete já cheira abundantemente a porco assado no espeto. Assim sendo, vou dar uma volta pelas ruas de belas fachadas neo-clássicas do centro e passar pela rua da capela das Malheiras, magnífico exemplar do rococó português, a ver se como qualquer coisa ao jeito medievo. Até já e bom almoço.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Mas tão ou mais estranho do que a cruz de pau de cedro no espaço é este miúdo no futebol

Nem sei bem que título hei-de dar a isto


Diz-me um bom amigo que o seu irmão mais novo foi agora para a Suécia durante umas semanas. Parece que se trata de um projecto universitário com estudantes da Europa e de alguns países do Magreb. Por uma questão de racionalidade e de modo a aumentar o potencial de intercâmbio cultural e científico, a organização decidiu colocar três estudantes de diferente nacionalidade em cada uma das residências. E, nessa medida, a organização sueca decidiu colocar esse irmão deste meu amigo juntamente com um estudante turco e outro marroquino na mesma residência. Não duvido do sucesso, desde logo no que à cultura gastronómica diz respeito, de uma residência estudantil luso-turco-marroquina. Porém, ainda gostava de saber que raio de critério terá a organização sueca utilizado para esta distribuição, se o objectivo era precisamente, o de potenciar o intercâmbio entre diferentes sensibilidades culturais e científicas.

*

E agora, uma coisa que nada tendo que ver, aproveito e já que estou aqui falo-vos dela. Estou a falar, pois é claro, de uma iniciativa pioneira e que alargará os novos horizontes da exploração espacial. Trata-se do projecto de colocar em órbita da Terra uma cruz em pau de cedro. Pode ler-se aqui, e pelo que lá se diz até já se encontrará em órbita, a 757 km de altitude, e poderá mesmo andar por lá nos próximos 156 anos. Enfim, há gente que leva a religião a níveis extraordinários.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

O simpático senhor A.


Hoje conheci o senhor A., simpático, divorciado e condenado em juízo por um crime que cometeu. Como é reincidente, a pena foi especialmente agravada. Mas não foi preso, estejam descansados.


Ao tomar café com o senhor A., e depois de discorrer sobre as maravilhas da rádio, afiançou-me, o senhor A., que, por muito que trabalhasse, nunca chegaria a rico. Perguntei-lhe, admirado, a razão por que afirmara tal coisa.


Disse-me, um pouco orgulhoso, que era uma pessoa honesta.


Contra-argumentei que tal carácter – a honestidade - não era impeditivo, apenas dificultava, da obtenção de tão almejado estatuto.


Porém, o senhor A., seguro da sua pessoa, respondeu-me que, a acrescer à honestidade, faltava-lhe o entusiasmo e a poupança, requisitos essenciais para atingir a riqueza.


Convencido fiquei com tal resposta. E para mudar de conversa, lá atirei a seguinte e ridícula frase, muito útil para quando não se sabe o que se dizer:

- Olhe, quem está bem é o Ronaldo.


Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Duas notas sobre a actualidade política portuguesa


Boa noite. Há dois comentários que gostaria de fazer sobre duas recentes novidades políticas. Não que isso interesse a alguém, e muito menos seja motivo de leitura por parte de quem, qual cavaleiro errante, passe por este desgraçado ermo.

Apesar de tudo, comento:

1. Sócrates assume erro de ter investido pouco na cultura.

Só uma pessoa muito ingénua poderá achar que o Sr. Primeiro Ministro, com esta confissão, esteja a admitir, à guisa de um político honesto e humilde (aliás, duvido que actualmente esta figura sequer exista), um verdadeiro erro político, que poderá mesmo prejudicar-lhe os seus resultados políticos. Também aqui Sócrates actua de forma matreira e inteligente. Na verdade, ele bem sabe que na política portuguesa investir na cultura dá tantos votos como o investimento na apanha do berbigão. Ele bem sabe também que o que português médio aprecia é o político que “faz obra” e faz da vozearia nos meios de comunicação social vida. Tal como sabe que o que tuga gosta é de putas e vinho verde, e pouco quer saber do Museu Nacional de Arte Antiga, ou se o português se escreve kom k’s e o karalho. E sabe ainda que um povo que mija, escarra e caga nos seus monumentos quer lá saber do investimento na cultura. Quanto muito, poderá apreciar a cultura popular das festas e arraiais. Mas a isso, pelo que se pôde ver no Santo António, até nem consta que falte investimento.

Assim, Sócrates admitir que investiu pouco na cultura é um acto de puro auto-elogio que, como ele bem sabe, irá granjear grande simpatia por parte do povo português. Portanto, quanto a Sócrates, nada de novo.


2. Ferreira Leite: Autárquicas e legislativas no mesmo dia

É talvez a primeira estupidez política que ouço da parte do PSD nos últimos meses. Não faltam áreas onde o Estado pode poupar milhões: basta possuirmos dois dedos de testa e um bocado de bom senso para sabermos facilmente onde o Estado pode gastar menos. E se se quer poupar com as eleições, comece-se pela abolição dos cartazes na via pública. Poupar-se-ia muito dinheiro e ganhar-se-ia na estética dos lugares. É um grave erro considerar a realização de eleições democráticas do ponto de vista economicista. Por esse prisma acabava-se de vez com este sistema e impunha-se um governo perpétuo de um só homem, tirado à sorte com pauzinhos, e de preferência poupadinho e bom moço.


P.S.: Ah!, e façam o favor esquecer o último post, a maior nulidade que se viu neste sítio. É que estava apenas entusiasmado com o meu novo telemóvel.



Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Nota de sexta-feira

Estou aqui na vci semi-parado, mas estou em condições de, hoje sim, poder afirmar que este foi o primeiro dia do resto da minha vida. E, de facto, para primeiro dia do resto da minha vida não foi nada de especial.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Nota de fim de semana


É só para dizer a vossas senhorias que o alinhamento de ontem do Classe 70, do grande Luís Filipe Barros, na Antena 1, estava assim para o quase perfeito. E estava bestialmente tão bom, que até já o ouvi repetidamente umas quatro ou cinco vezes enquanto me vejo aqui entretido entre o Estatuto da Ordem dos Advogados e um compêndio de história da Grécia Clássica.


Mas vide, ou melhor, ouça-se, o que estou para aqui a falar:


Moddy Blues - Candle Of Life

Cat Stevens - When The Children Play

Jethro Tull - Look Into The Sun

Pink Floyd - Time

Genesis - Afterglow

Genesis - Cinema Show (w/Peter Gabriel)

Camel - Breathless

Emerson,Lake & Palmer - Karn Evil / Tiger In The Spotlight


Sábado, 13 de Junho de 2009

Procrastinação, por Mark Twain

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Considerações de um candidato a advogado viajante

Por contingências do destino, e porque a minha oral de agregação assim o exige, vejo-me obrigado a estudar a responsabilidade civil das concessionárias das auto-estradas. Uma questão com muito interesse, pois claro. Por esse motivo, não me posso demorar muito por Nova Iorque com o meu amigo John. Pois, não sabiam? Muito recentemente a Editorial Presença editou Manhattan Transfer, e com isso e mais uma vintena de euros, é-nos oferecida uma visita guiada à cidade que nunca dorme. E não se trata de uma qualquer visita, trata-se da melhor visita possível, aquela que é feita através dos livros.


Entretanto, e enquanto dou a extrema unção ao meu telemóvel (padece de uma ferida de morte, igualmente acometida ao meu último telemóvel: a que eu chamaria doença de cegueira progressiva do ecrã), tenho aqui ao pé As Aves de Aristófanes, que ando para ler há demasiado tempo. Estou tentado a lê-la mesmo agora. Mas depois penso na responsabilidade civil das concessionárias das auto-estradas, e como ao júri da oral de agregação pouco interessará a comédia grega.


Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Eleições Europeias: a pergunta que se impõe


Agora que tudo acabou, e se sabe quem perdeu e quem ganhou, cabe fazer a pergunta que me tem assolado a alma nos últimos tempos:

Onde raio se meteu Manuel Monteiro e o seu PND? Só eu é que dei pela falta do homem nestas eleições?

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Imprescindível



Para quem aprecia boa fotografia. Acaba de fazer um ano.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Da metafísica dos blogues


Coisa estranha nos blogues é haver gente que acha que pode ganhar dinheiro com isso, i.e., com o facto de colocar, a convite do blogger ou do google, mensagens publicitárias ou links irritantes como o raio no blogue. Irritantes como o raio porque alguns deles abrem automaticamente, mesmo com o mais poderoso bloqueador de pop-ups, novas janelas irritantes como tudo.


Mas fenómeno ainda mais estranho que esse, e igualmente irritante, é a existência independente de algumas caixas de comentários. Explicando: em alguns blogues, a caixa de comentários, quando clicada, abre numa pequena nova janela autónoma e independente da janela do blogue. E quando fechamos a janela do blogue, o raio da caixa de comentários mantém-se aberta, com se fizesse algum sentido a sua existência autónoma sem a do blogue mãe.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Justamente, e mesmo a propósito


Li ainda ontem de noite isto:


- Advogado é porreiro, acho eu... Mas não é o meu estilo – disse eu. – Quer dizer, é porreiro se for andar por aí a salvar a vida de gajos inocentes a todo o momento, ou coisas do género, mas não é isso que se faz quando se é advogado. Tudo o que se faz é sacar uma pipa de massa e jogar golfe e jogar bridge e comprar carros e beber Martinis e armar em bom. E por aí em diante. Mesmo que fosse andar por aí a salvar a vida dos outros e tudo, como é que sabíamos que fazíamos isso porque realmente queríamos salvar a vida das pessoas ou se era porque o que realmente queríamos era ser um advogado bestial, com toda a gente a dar-nos palmadinhas nas costas e a dar-nos os parabéns no tribunal quando acabasse a merda do julgamento, os jornalistas e toda a gente, tal e qual como na porcaria dos filmes? Como sabíamos que não estávamos a armar? O problema é que não sabíamos.


J.D. Salinger, in À Espera no Centeio, Difel, Janeiro 2005

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Da febre da feira medieval


Uma grande parte da política cultural dos municípios portugueses passa pela organização de feiras medievais uma vez por ano. Lá está, mais uma coisa na moda: o povo, em massa, acorre satisfeito aos medievos festejos, comendo e bebendo prazenteiramente nas tabernas construídas propositadamente para o efeito.

Cidade ou Vila portuguesa que se preze, e que se quer moderna, tem a sua feira medieval. Pouco interessa se essa cidade tem pouco ou nenhum espírito e envolvência medieval. Até pode ser uma cidade de aparência marcadamente renascentista ou mesmo oitocentista, mas o que se quer é bobos da corte aos pulos e porco no espeto a fumegar pelas arcadas neoclássicas de um qualquer edifício institucional. Não consigo imaginar, nos dias de hoje, fenómeno tão mais parolo que este das feiras medievais. Excepção feita a uma ou duas cidades, é tudo de uma parolice a raiar o ridículo, repetida quase semanalmente um pouco por todo o país. Há gente que deve fazer disto vida e negócio, porque são praticamente sempre os mesmos em todas as feiras.

E isto como se não tivéssemos cidades que poderiam organizar as mais diversas feiras de reconstituição histórica. Um feira renascentista em Viana do Castelo, por exemplo, enquadrava-se muito melhor com a cidade. Ou até uma feira greco-latina em Évora, com tendas de pedagogos explicando aos meninos as belezas da filosofia e da geometria. E uma feira iluminista na baixa de Lisboa? Porque não?

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Ega ascende temporariamente ao trono durante uma visita cultural


Há muito pouco tempo desloquei-me ao Porto para fazer uma coisa. Mas já durante a deslocação para a Invicta surgiram questões complexas que levaram a que eu acabasse por não fazer essa coisa, questões essas que, de certo modo, seria muito aborrecido estar agora aqui a falar delas. De modo que aproveitei e, além de ter bebido uma cerveja na esplanada do Guarany, onde por momentos me senti Rei dos Aliados, fui conhecer a Cadeia da Relação do Porto, um soberbo edifício no centro histórico do Porto (actualmente alberga o Centro Português de Fotografia). Não vou aqui falar-vos das notas da visita, nem da própria edificação em si, ou mesmo do espaço museológico ou das exposições de fotografia, ou até das vistas panorâmicas sobre o Porto.

Vou somente dar-vos conta de um fenómeno excepcionalmente agradável e proveitoso que me ocorreu. Tratou-se muito simplesmente de se terem reunido naquele espaço e durante o período temporal em que lá estive todas as condições para eu poder fazer a melhor visita possível a um local de cariz cultural: esse local encontrar-se às moscas*.

Bem sei que em Portugal isto até ocorre, tal como a sujidade nas ruas, com alguma frequência. Mas sucede que tenho nos últimos tempos viajado para o estrangeiro, onde o mais pequeno monumento/espaço museológico está à pinha (e nem precisa de ser num Sábado), ainda que se trate de uma exposição sobre penicos da corte da rainha Vitória.

É também verdade que existem alguns sítios por cá que, com a nossa mania extrema das modas passageiras, ficam a abarrotar de gente em certa épocas, formando por vezes filas com um comprimento muito superior a uma jarda, onde milhentas pessoas com as suas sony ao peito torram ao sol à espera de cumprirem o ritual da moda. Enfim, pretendem ser cultos e pertencer à horda “cool”e sempre “in”.

Mas o que é certo é que isso não constitui a regra, e por este país fora já tenho vivido experiências únicas em que, por algumas horas, me sinto um verdadeiro Rei.



*com todo o respeito por dois italianos e uma inglesa por quem fugazmente passei.


Sábado, 23 de Maio de 2009

Duelos...Este país continua tolo!

Apesar de não gostar particularmente da forma como Marinho Pinto exerce a sua intervenção cívica e pública, por muitas e variadas razões, ontem este senhor disse em directo, por assim o merecer, o que a Manuela Moura Guedes já devia ter ouvido há muito tempo. Um duelo entre dois justiceiros, pseudo-moralistas e algo parecidos, em que a jornalista da TVI acabou tosquiada e sem fala de tanto frio bafejado pelo Czar da Ordem – sem ordem - dos Advogados.

Se aceito e tolero as reportagens do Jornal Nacional, não suporto, mas não suporto mesmo, o espírito excessivamente interventivo, provocatório, demagógico, superior e populista da Manuela Moura Guedes. Por isso, aquelas do Marinho Pinto foram bem cantadas…

Conhecendo bem este burgo onde habito, a Manuela da TVI com a sua já bem caracterizada conversa podia ser minha vizinha, não lhe faltando sósias, nem sofrendo de exclusão! E como o meu burgo é parecido com este país...

De qualquer forma, deixo aqui convosco, não o vídeo tão falado e comentado, mas sim o prognóstico do troca-tintas João Miguel Júdice por me parecer fiel no retratar da personagem Marinho Pinto.

Coitado do meu amigo Edgar, um homem competente, responsável, profissional e cívico, como ele é, é tão mau representado por todos os órgãos que o representam. Talvez se salve a Presidência da República e a Comissão de Festas…

Hoje a vergonha já não existe,a mediocridade é descarada e o pudor fugiu e escondeu-se deixando a descoberto o escândalo e a desfaçatez. Assim vai a nossa terrinha.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Porque nunca é tarde para se voltar a ver o país real

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Tudo sabemos, nada aprendemos

O país está mal, a educação está uma desgraça e o mais o raio. No entanto, teremos nos próximos dias entre nós um dos maiores pensadores vivos: Edgar Morin. E com a mesma certeza que irei ter de pagar IRS este ano, posso afiançar-vos que nada iremos aprender com o que nos pode ensinar este eminente filósofo, nomeadamente sobre o ensino.

Mais uma confirmação...

Qualidade da democracia em Portugal está a piorar


Portugal perdeu seis posições, de 2006 para 2008, no 'Democracy Index' feito pelos especialistas da revista 'The Economist'. Passou de 19.º lugar para 25.º. Entre os 27 países da União Europeia, Portugal encontra--se na segunda metade do pelotão. Na verdade, sem os países do alargamento, poderia ser considerado um dos com pior vivência democrática.


Continuo a dizer que o primeiro-ministro pós 25 de Abril que mais contribuiu para a degradação da Democracia foi o actual primeiro-ministro, José Sócrates. Não é de estranhar nem constitui novidade, na verdade este homem apareceu e cresceu à sombra do que pior existe na democracia e nos partidos.

Visto isto, concluímos que, para além da recessão moral, social, económica e financeira, temos ainda a preocupante recessão democrática.

Quando aparecem as verdadeiras notícias positivas sobre este governo?

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Ora, antes de mais

Cabe responder, já em último dia de prazo, à solicitação do caro Jorge A. do Despertar da Mente (e que também deambula pelo Delito de Opinião) de indicar 15 séries de televisão que tomo por inesquecíveis. Assim, e sem pensar muito e ainda menos sem numerar por ordem preferencial, cá vão:

- Allo Allo!
- Six Feet Under
- The Simpsons
- The Sopranos
- The X-Files
- House
- Rome
- Macgyver
- Blackadder
- Black Books
- The Office (o britânico pois claro)
- Band of Brothers
- Mission: Impossible
- Seinfeld
- What About Brian

E pronto, acho que é isto. Assim sendo, e para satisfazer a minha curiosidade, lanço o mesmo repto à Lady Godiva, ao Jorge C., ao Alex, e ao José Borges. Lançava também ao Funes e ao José Ricarco Costa, mas tenho algumas dúvidas que algum dia tenham visto televisão. Se assim não fosse, não escreveriam tanto e tão bem sobre o que escrevem.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Lugares de outrora (IV) - Vianna do Castello


Antigo Mercado Municipal - Vianna do Castello (s/ data)
*


Esta bela construção arquitectónica do final do século XIX foi destruída para dar lugar ao não menos belo Prédio Coutinho, aquele que é talvez a segunda mais bela obra de todo o século XX em Portugal.

*Recebida via e-mail.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Coisas que nunca esquecemos e cuja utilidade é nula

Há coisas na vida de uma pessoa que servem para muito pouco. Por exemplo, eu há muitos anos explorei quase doentiamente a paixão pelo mundo dos automóveis, principalmente o dos clássicos. No entanto, hoje pouco ou nada sei sobre tal assunto que tanto tempo, e algum dinheiro, me tirou.

Contudo, há uma ou duas coisas que nunca esqueci (mas que também não me servem de muito). Uma delas é saber a marca e o modelo dos carros em que tanto James Dean como Albert Camus pereceram. Nunca li nada da obra de Camus e acho que nunca vi nenhum dos filmes de James Dean. Porém, se alguma pessoa me falar destes dois, mesmo nada sabendo, sempre poderei falar-lhe dos veículos em que tragicamente morreram. A pessoa, se facilmente impressionável, ficará certamente impressionada, se não, achar-me-á somente estúpido.


Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Ainda a propósito de funestos assuntos

Lembrei-me agora que tenho de apresentar a minha declaração do IRS. Porra! Não há por aí um contabilista que me trate disto? Pago bem. E já agora, despesas terapêuticas por conta do espírito darão para deduzir à colecta? Espero que sim, porque quanto às outras, as que não interessam, tenho poucas. Ou seja, e grosso modo, estou fiscalmente lixado. Vá lá que sempre me restará reconfortar-me com o facto de saber que o Estado vai gastar de forma racional e eficiente o meu dinheiro.

No fundo isto é como o velho provérbio ou o raio: só há duas coisas nesta vida que podemos ter por certas que nos calham:a morte e os impostos.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Do incumprimento definitivo do pacto da morte


Hoje ocorrerá uma importante inovação (ou será renovação) na minha vida literária. Não se trata de coisa de somenos: irei começar a ler um autor vivo. É que nos últimos anos (5 anos talvez) fiz um pacto comigo próprio: só leria obras de ficção de autores defuntos. E assim sucedeu, pelo menos até hoje, já que sou homem de honrar compromissos. Facilmente se compreende a razão deste meu estúpido pacto: é que além de não apreciar a modernidade, sempre pensei que uma obra de um autor vivo poderia, por vontade deste, ser alterada a qualquer momento. E a mim não me apetecia ler obras inacabadas ou susceptíveis de serem rectificadas. Tudo fundamentos racionais pois claro. O que é certo é que não me dei mal com este pacto. O único problema é que a minha biblioteca, com tudo isso, já cheira a mofo e bafio que tomba.


Assim sendo, e satisfazendo a curiosidade dos dois leitores que irão ler esta posta, o contemplado autor que me leva a quebrar o pacto da morte é o J. D. Salinger, com a obra À Espera no Centeio (Difel).


Claro que, a questão da morte é uma coisa relativa. Mesmo Salinger, estando vivo, parece morto (e para uma boa parte da humanidade nunca sequer chegou a existir) pelo menos desde 1980, a data da sua última entrevista. E, pelo contrário, defuntos autores há que permanecem bem vivos entre nós.



E já que falo de tão funesto assunto, é este o momento ideal para relembrar uma das mais belas dedicatórias que li, a de Brás Cubas pois claro:


Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas


Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas